ArtNow Report × Lei Rouanet · Julho 2026 · Confidencial
O imposto já foi pago.
A memória ainda não tem dono.
20 projetos de arte brasileira desenhados para as montadoras — de R$ 1,5 a R$ 15 milhões, todos dedutíveis em 100% do IR.
Antes dos projetos: a defesa — por que arte, por que agora →
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O veredito
Nenhum artista brasileiro jamais assinou um art car. Nenhuma fábrica daqui tem pinacoteca. Nenhuma chinesa fez um gesto cultural no país.
Quem assinar o primeiro PRONAC de arte do setor funda a categoria. Os outros ficam com a imitação.
A janela, em números
Rouanet não é despesa de marketing. É imposto que a empresa paga de qualquer jeito — a única escolha é se ele volta como reputação ou some no Tesouro.
Por que agora
Quatro fatos abrem a janela
Share se disputa com desconto; pertencimento se disputa com cultura. As tradicionais precisam provar os 70 anos; as chinesas precisam comprar tempo. Ninguém ocupou o território.
Fiat: 50 anos de Betim. VW: 70 de Brasil. GM: 100. BYD: Camaçari com 9 meses. E 2026 é o ano sem Bienal de São Paulo — vácuo institucional aberto.
A ponte Quatro Rodas chega no C-level. E entram na sala 11 edições impressas, 50+ artistas retratados e uma base de 274 artistas com scoring que nenhum produtor tem.
A multa de R$ 25,3 mi da CGU à VW ensinou o setor: Rouanet sem governança é passivo. Nossos projetos nascem blindados — auditoria, dashboard público, curadoria independente.
A lei em um slide
Rouanet para quem nunca a leu
A empresa aporta num projeto chancelado pelo MinC e abate 100% do valor do IR devido (Art. 18, artes visuais). Limite: 4% do IR no lucro real.
Crédito "Apresenta" em toda a comunicação, 10% de ingressos e produtos para relacionamento, ações com clientes e concessionários dentro da lei.
Evento fechado, vantagem direta à patrocinadora, marca maior que a do governo. Onde a VW escorregou em 2012 — e onde nós não pisamos.
O MASP capta de 114 empresas num só ano; a OSESP, de 755. Conta única, cada incentivadora no próprio teto, crédito proporcional.
O banco
20 projetos × 5 faixas = 100 configurações
Nenhum CMO precisa caber no projeto — o projeto cabe no IR dele. Cada ideia existe em cinco tamanhos:
valores em R$ milhões · F5 = sempre PRONAC único: bienal (teto R$ 15 mi) quando couber, senão R$ 6 mi incentivados + R$ 1 mi de aporte direto da marca
Abrir o catálogo detalhado → 100 configurações, rubrica por rubrica
10
projetos mono
Uma marca, um projeto, uma fundação. Cada ideia amarrada cirurgicamente ao job do CMO daquela casa — máximo de duas por marca.
Ataque nº 1 · Fiat/Stellantis · R$ 4,5–5,5 mi
147: O Primeiro Art Car Brasileiro
Nos 50 anos de Betim, um 147 restaurado é entregue a uma artista de calibre internacional — protocolo BMW Art Car: curadoria independente, liberdade total. Estreia em museu-âncora, itinera por 5 capitais, obra doada a acervo público.
O carro mais popular do país virando escultura pela mão de uma das artistas mais valorizadas do mundo. O "Warhol pintando o M1" tropical.
Stellantis já capta R$ 32 mi/ano via Rouanet — venda interna é trâmite. Única aprovada sem ressalvas na verificação adversarial.
"A BMW levou 50 anos e 20 carros. A Fiat funda a versão brasileira com um único carro — no ano em que Betim faz 50."
Ataque nº 2 · Volkswagen · R$ 3,5–4,5 mi
Kombi Aberta: museus de bolso nas periferias
Sete Kombis restauradas — uma por década de VW no Brasil — viram micro-museus com obra original e mediador, estacionando na porta de escolas públicas e praças de periferia. Meta: 200 escolas, 150 mil estudantes, gratuidade total.
A Esther Mahlangu à brasileira, 35 anos depois — na porta da escola pública, não no salão de Le Mans.
Desenhada de trás pra frente a partir do relatório da CGU: cada item da multa tem antídoto explícito no orçamento. É onde a ponte Quatro Rodas vale mais.
"Sabemos por que a VW parou de fazer Rouanet. Este projeto é a blindagem — e a contracapa é a Kombi na porta da escola."
Ataque nº 3 · BYD · R$ 5–6 mi
Rota da Luz: o primeiro museu zero-emissão do mundo
Uma carreta-galeria movida a energia solar parte de Camaçari e leva arte de padrão bienal ao semiárido — cidades que nunca tiveram museu. À noite, a fachada vira tela de projeção na praça: cinema alimentado pelo sol colhido de dia.
"O primeiro museu zero-emissão do mundo nasceu no sertão brasileiro" é pauta de Guardian, não só de Folha.
R$ 5,5 bi de fábrica, slogan "é do Brasil" e zero prova cultural. First-mover absoluto: quem faz primeiro fica com a manchete para sempre.
"Fábrica e futebol qualquer multinacional compra. A primeira ação cultural de uma montadora chinesa no país, ninguém mais pode comprar depois."
E mais sete mono no banco
detalhamento completo dos 10 no catálogo — 5 faixas, rubricas e entregáveis por projeto
10
projetos multi
Rivais assinando juntas — porque o ativo é neutro, o território é repartido, ou a dor é a mesma. Cotas a partir de R$ 700 mil por marca — e projetos de até R$ 15 milhões num único PRONAC, na categoria bienal/festival.
Três arquiteturas de consórcio
O "Turbine Hall brasileiro": um artista por ano, obra monumental na Oca, itinerância Sul + Nordeste. Cota R$ 1,2–1,5 mi. Clube de fundadoras como barreira simbólica.
Oito artistas, oito fábricas rivais abertas à arte ao mesmo tempo. A única foto em que as oito aparecem do mesmo lado. Cota R$ 700–750 mil — a porta de entrada mais barata.
A primeira bienal do interior do Brasil, em galpões fabris de Sorocaba e Piracicaba. Edição Zero auditável de R$ 4–6 mi antes de escalar para R$ 15 mi.
Precedente validado: conta única com múltiplos CNPJs é como o MASP e a OSESP captam todos os anos.
E mais sete multi no banco
valores em R$ milhões por marca · tabelas de cota para 2, 3, 4 e 6–8 participantes no catálogo
Qual faixa para qual marca
O projeto cabe no IR de cada uma
Stellantis, Toyota, VW → entram direto na F4 (R$ 6 mi). A máquina interna de incentivo já roda; a novidade é a obra de assinatura.
BYD, GWM → só deduz quem tem IR devido no lucro real. F1–F2 ou cota multi é o caminho honesto enquanto o lucro local amadurece.
Honda, Hyundai, Renault → F1 piloto (R$ 1,5 mi) ou cota multi de R$ 700 mil–2 mi. Estreia pequena, impecável, com renovação embutida.
Três combos prontos: Estreia (mono F1–F2 piloto) · Assinatura (mono F4 + renovação) · Setorial (multi F4 com 4+ cotas).
O módulo que todo projeto carrega
A obra é assinada pelo artista — e por todos que fabricam.
O nome de cada funcionário entra na matéria da obra: microgravado no plinto do art car, na borda do mural, no céu interno da carreta. Não é banner — é assinatura.
Totem na exposição e página web: o funcionário — ou o filho dele — digita o nome e a obra acende onde ele está. A foto que cada família tira e posta.
Cada visita de escola pública sai registrada: "esta visita foi aberta por [nome]". O operário vira mecenas da democratização, de nome próprio.
Adesão opt-in via campanha interna (LGPD) — que já funciona como pré-lançamento dentro da empresa. Nomes entram como conteúdo expográfico, prática de crédito: sem benefício privado, dentro da lei.
Próximos 30 dias
Do banco ao primeiro PRONAC
CNPJ proponente + CND federal e FGTS. Cadastro no SALIC. Confirmar os tetos da IN 29/2026 no DOU antes de qualquer número em proposta.
Consultoria Rouanet valida o enquadramento dos 3 projetos do ranking. Dossiê de governança: auditoria, dashboard público, 3 cotações, planilha dos 20%.
VW pela porta relacional → Fiat por dois canais → BYD com o trem andando. Primeiro PRONAC dentro da janela; captação no 1º tri fiscal de 2027.
A sequência
Multi entra na segunda onda, puxado pelo efeito-prova: "a Fiat já está dentro" é o melhor argumento de captação que existe.
A decisão
A janela fecha em 31 de outubro.
O imposto de 2026 já está comprometido. A única pergunta é que memória ele deixa — e com o nome de quem.
Por que arte? A defesa completa →Catálogo detalhado dos 20 projetos →
versão online: claude.ai/code/artifact/d432a6bf… · 20 dossiês em 5 faixas + matriz de investimento
artnow.report